sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Za bafo de um louco desprendido.

Quanto mais eu ando, mais eu vejo que as pessoas se conhecem demais.
Eu não quero ser conhecido, só quero me encontrar esquecido, e não me preocupar mais.
Não quero ver teus olhos de lágrimas, e perder o folego por não ter a ação.
Eu vou voar, e mergulhar, e me criar ser humano que parece gente.
Vou andar pelo mundo e enxergar as coisas em preto e branco.
Perder a velha lucidez que nunca tive, e vagar por entre as luas.
Luas minguantes, crescentes, novas, e velhas, cheias de poeria.
Vou rodar um catavento, e gritar ao relento, ser gente fina, e assistir o vento me soprar.
Vai soprando longe, até onde eu não posso mais sentir o teu cheiro.
Vamos seguir viajem, e se der coragem parar pra ver o céu com o sol.
E quando os passarinhos passarinharem, imitar a nós mesmos e ter felicidade.
Chuva? Que teus pingos molhem até meus pés rachados do caminhar.
Já disse que vou aparecer, e depois sumir, pra ver o que há.
Se é do meu sorriso que tem tanta saudade, banguelo é que não fico.
Eu quero é que o amor acabe, pra poder inventar um novo sentimento.
Vou sentir este novo sentimento, e nunca deixar de amar de verdade.
Endoidecendo de doidura, caricaturando as caras espelhadas pra mim.
É o temor de ficar são, que me deixar certo do meu comum estado anormal.
Só penso um pouco, sou um animal, mas pelo menos grito as minhas vontades.
Engraçado ver um cão que não entende as coisas, e um ser que bate nele pra que entenda.
Nestas horas me encabulo e pergunto: Afinal? Quem é o animal??
Só sei que, nessa historia eu não quero me meter, pois vai que eu levo duas mordidas.
Não é raro experimentar a falsidade, a vida não é mais de verdade.
Só na TV os personagens são eles mesmos, dai pra fora, outros tentam o ser.
Ahahahah, eu disse tanta coisa, e nem disse nada. Vou rir mais um bucado aqui.
A vida não é uma surpresa, naturalmente, você é quem devia ser.
A vida já existe a muito tempo. E você, existe desde quando?


(Lion Ardo!)

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Sabe lá o que vai saber.

Se o rebalanço do balançado,
O requebrejo do requebrado,
E o beijo dum seu amado,
Vai mudar o teu vidro embaçado.

É o embalo do embalado,
O compasso descompassado,
O futuro premeditado,
Um presente inestimado.

O que vai mudar as cores
Das asas finas de meus pintores,
Que melecaram com seus primores,
Meus castos olhos enxergadores.

Quem vai deixar se passar por samba
Aquele lambada que se lamba,
E se trupica e se escamba.
Pois prefiro um passo qualquer a essa muamba.

E todos seguem o trio e vão indo,
Vão esquecendo o osso, e vão sorrindo!
E quando os olhos fechar, eu findo!
Vou querer só ver, quem vai ficar só rindo!

Informal.
Leonardo.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

VAI SABER

(Adriana Calcanhotto)

Não vá pensando que determinou
Sobre o que só o amor pode saber
Só porque disse que não me quer
Não quer dizer que não vá querer
Pois tudo o que se sabe do amor
É que ele gosta muito de mudar
E pode aparecer onde ninguém ousaria supor
Só porque disse que de mim não pode gostar
Não quer dizer que não tenha do que duvidar
Pensando bem pode mesmo chegar a se arrepender
E pode ser então que seja tarde demais
Vai saber?

Não vá pensando que determinou
Sobre o que só o amor pode saber
Só porque disse que não me quer
Não quer dizer que não vá querer
Pois tudo o que se sabe do amor
É que ele gosta muito de se dar
E pode aparecer onde ninguém ousaria se por
Só porque disse que de mim não pode gostar
Não quer dizer que não tenha o que considerar
Pensando bem pode mesmo chegar a se arrepender
E pode ser então que seja tarde demais
Vai saber?

Não vá pensando que determinou
Sobre o que só o amor pode saber
Só porque disse que não me quer
Não quer dizer que não vá querer
Pois tudo o que se sabe do amor
É que ele gosta muito de jogar
E pode aparecer onde ninguém ousaria supor
Só porque disse que de mim não pode gostar
Não quer dizer que não venha a reconsiderar
Pensando bem pode mesmo chegar a se arrepender
E pode ser então que seja tarde demais
Vai saber?

quinta-feira, 14 de junho de 2007

A de sonhar.

Garota, eu sonho com teu beijo.
E por ele, eu morro de desejo.
Perdi a vida sem nem notar,
Encontrei-a no teu olhar.

É você que enche meus pulmões,
Faz meu sangue correr.
Por você eu rompo os grilhões,
E faço um novo dia nascer.

Mas no instante que escrevo,
A fantasia me parece mais pulsante
Que a comum realidade.

Por isso sonho sem nem ao menos
Ter um chão sólido pra pisar.
E vejo a solidão, ao invés do aconchego.

Leonardo Jean de Oliveira Borges.

sábado, 19 de maio de 2007

Retórico.

Os passos já têm seu lugar.
E a vida tem que continuar.
Cada sábado sem um amigo.
É tortura sem comparação.

Não importa se eu ligo.
Se ainda vivo ou não.

Perdi a vida por você,
Foram tantas vezes,
E eu nem sei por que.
Só paro e ouço umas vozes.

O mundo gira, e continuo
No mesmo capítulo.
Me perdi, e acabei num mar.
Não há muita coisa neste lugar.
Aqui quem lhe faz companhia,
É somente a solidão.

O vento corta a carne,
Com sua gélida desfeita
Por ser somente pó.
Um monte de pó encarnado.

Figura torpe e vaga
Que função é denegrir,
E corromper o puro.
Destruir o belo, roubar a paz.
E nada de bom nos trás.
Sua sombra é a discórdia,
E sua vontade é o fim.

Suma daqui angústia maldita,
Tu és sócia da morte,
E da morte objeto de desejo.

Quebre uma perna, distorça
A história, e torça para que tenhas
Infindas glórias.

Leonardo Jean de Oliveira Borges.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Jus.

Acordei juntamente ao dia,
O sol dissipava a treva fria,
Em instantes já não era noite.
O teatro havia recomeçado.

Os ditos “juizes” já estavam à mesa.
Julgavam sem haver aparente causa.
Conclusões erradas eram as acusações.
E teimavam em comparar-me com seu passado.

Mas os discretos, somos assim.
Vivemos sob insinuações.
Se não somos iguais, é culpa
Da falsidade que está em sua mente.

Somos iguais como todo irmão adotado.
Rasgamos a carne por propósito algum,
Lançamos pedregulhos para que aumente
O próprio ego. Tolice, digo.

Tire a venda, rompa o grilhão.
O poeta morto renasce em nós.
Dê um gole no veneno da vida,
Encha-se disto, e siga!

As areias do tempo estão caindo,
Cada grão cai sobre mim,
E vai me sufocando.
Antes que acabem as forças

Liberte-me deste peso,
Estenda uma mão amiga
E partilhe do meu sofrer.
Elimine este julgo torpe.

Quanto a vocês, oh juizes sem juízo.
Desde já julguem a si mesmos.
Antes de olhar feridas alheias,
Cuide bem da sua decupla chaga.

Leonardo Jean de Oliveira Borges.

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Mito.

Coitado de mim mero mortal,
Em cujo dia quis ter com os deuses.
Tomar de seus manjares,
Andar pelo Elísio.

Ao contrário disto
Fui punido sem pudor,
Me lançaram no Tártaro.
Sofrendo, ali quase padeci.

Mas como um grande guerreiro,
Reescrevi o fim desta aventura.
Busquei minhas forças no infinito

Rompi os portões do exílio.
Restaurei minha honra,
E assentei-me junto aos grandes.

Leonardo Jean de Oliveira Borges.

segunda-feira, 30 de abril de 2007

Um sopro.

Como tudo sai intimamente de dentro pra fora,
Como não se mostrar em versos e prosas?
Se tudo o que vivemos é um vício interminável,
E as pessoas continuam passando por nossas vidas,
Como se a vida girasse juntamente com o mundo.
Somos prisioneiros da própria vontade,
E nem conseguimos disfarçar de nós mesmos toda a ansiedade.
Vivemos soltos e atados a nós mesmos.
Nos prendemos tanto à estética que tudo fica desproporcional.
Um vão sobra entre todas as coisas,
As cópias continuam sendo geradas.
Ou meramente imitadas.
Intimamente não se tem conhecimento.
A duvida é o que sempre sobra.
O prato de comida se esvazia,
Mas esta fome nunca acaba.
Fome de poder, fome de vitória, fome de status.
Partimos secos e sem prantos,
Só nos oferecem um pouco de falsidade e pena.
A lágrimas que nos regam,
Só vai fazer florescer rosas murchas.
A vitalidade da verdade irá faltar,
Os espinhos da ilusão continuarão a ferir.
E tudo o que não se vê um dia será exposto.
O último beijo será dado.
Mas a lembrança, quem sabe, não se apagará.
Nem que apesar de tudo,
Seja guardada por um louco qualquer.

Aqui lhe deixo um beijo. E que seja o primeiro, mas não o último.

Leonardo Jean de Oliveira Borges.

sábado, 28 de abril de 2007

trecho

"Por você, eu pesaria as nuvens, eu contaria as gotas da chuva, rodaria o mundo num pé só, calcularia a extensão do universo dividindo o amor que sinto por 2."

Por Leonardo no tempo que não existe, e num lugar desconhecido.

terça-feira, 3 de abril de 2007

Pontos sem exclamações.

A vida começa em um simples e genuíno delírio semi-emocionante, não fosse a dor da chegada, ou da partida de dentro pra fora.
Como quase sempre o céu escurece pra poder chover, o coração parar pra poder bater.
As flores atraem as borboletas, ou o fruto vago da inocência gera toda nossa consciência vã.
O chão que piso é de todo não uniforme, e meus uniformes são meras copias de estranhos modelos de velhas idéias que não se atualizam com o passar do tempo.
O meu chuveiro continua aberto, mas não cai água dele.
E em tempos em me pergunto o que estou fazendo aqui parado sem noção do real e do que dizem lúcido.
As borboletas dão suas piruetas, e cada uma caneta não escreve nada mais que a mão não pede.
Lamber o sal que contem em sua pele é o que desejo, colher misturas de loucuras é a coisa que almejo.
Remelejo, requebrejo, nunca vi nada igual.
Se o teu sorriso for tão puro como o meu que vendem por ai, qual será a cor do céu da tua boca??
Te tomo a essência, e te amo no passado, presente e futuro.
Como se conjuga um casal que não equivale a dois??
Pois se após todas as misturas ensolaradas e calorentas eles não tiverem se tornado um só.
O nó da forca não escorrega mais.
Espere um instante, me dêem um cigarro, mesmo que eu não fume.
Quero desperdiçar algo, e que seja algo inútil.
Sonhar ser dragão e soltar umas fumaças sem lógica alguma.
Quero ver de perto teus olhos fechados, e decifrar a cor dos teus desejos.
Janelas embaçadas são as que mais existem.
Olhos não mais reais, pois escondem velhos e intrigantes segredos.
Se o paraíso é um pouco mais divertido, faço bem aqui uma festa pra te levar pra lá.
Eu só quero me despedir com a alegria sobrando no bolso, e rever todas as maravilhas que nem vi.
Se tudo que beijo vira sonho.
Sonharei com teu beijo, e tornarei a sonhar em cada suspiro que me vier no peito aberto da saudade.
E quando não mais eu acordar, é que neste dia realizei meu sonho de não mais sonhar.
Você é mais real que eu, por isso me disfarço em meus espelhos da ilusão.
Segure minhas mãos, que eu vou te mostrar os meus lugares.
Beijos e queijos pra comemorar!
Viva a liberdade do sonho realizado!!
Viva todo o desejo não mais esperado.


Aqui eu digo: Beijos e boa noite.