sábado, 19 de maio de 2007

Retórico.

Os passos já têm seu lugar.
E a vida tem que continuar.
Cada sábado sem um amigo.
É tortura sem comparação.

Não importa se eu ligo.
Se ainda vivo ou não.

Perdi a vida por você,
Foram tantas vezes,
E eu nem sei por que.
Só paro e ouço umas vozes.

O mundo gira, e continuo
No mesmo capítulo.
Me perdi, e acabei num mar.
Não há muita coisa neste lugar.
Aqui quem lhe faz companhia,
É somente a solidão.

O vento corta a carne,
Com sua gélida desfeita
Por ser somente pó.
Um monte de pó encarnado.

Figura torpe e vaga
Que função é denegrir,
E corromper o puro.
Destruir o belo, roubar a paz.
E nada de bom nos trás.
Sua sombra é a discórdia,
E sua vontade é o fim.

Suma daqui angústia maldita,
Tu és sócia da morte,
E da morte objeto de desejo.

Quebre uma perna, distorça
A história, e torça para que tenhas
Infindas glórias.

Leonardo Jean de Oliveira Borges.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Jus.

Acordei juntamente ao dia,
O sol dissipava a treva fria,
Em instantes já não era noite.
O teatro havia recomeçado.

Os ditos “juizes” já estavam à mesa.
Julgavam sem haver aparente causa.
Conclusões erradas eram as acusações.
E teimavam em comparar-me com seu passado.

Mas os discretos, somos assim.
Vivemos sob insinuações.
Se não somos iguais, é culpa
Da falsidade que está em sua mente.

Somos iguais como todo irmão adotado.
Rasgamos a carne por propósito algum,
Lançamos pedregulhos para que aumente
O próprio ego. Tolice, digo.

Tire a venda, rompa o grilhão.
O poeta morto renasce em nós.
Dê um gole no veneno da vida,
Encha-se disto, e siga!

As areias do tempo estão caindo,
Cada grão cai sobre mim,
E vai me sufocando.
Antes que acabem as forças

Liberte-me deste peso,
Estenda uma mão amiga
E partilhe do meu sofrer.
Elimine este julgo torpe.

Quanto a vocês, oh juizes sem juízo.
Desde já julguem a si mesmos.
Antes de olhar feridas alheias,
Cuide bem da sua decupla chaga.

Leonardo Jean de Oliveira Borges.

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Mito.

Coitado de mim mero mortal,
Em cujo dia quis ter com os deuses.
Tomar de seus manjares,
Andar pelo Elísio.

Ao contrário disto
Fui punido sem pudor,
Me lançaram no Tártaro.
Sofrendo, ali quase padeci.

Mas como um grande guerreiro,
Reescrevi o fim desta aventura.
Busquei minhas forças no infinito

Rompi os portões do exílio.
Restaurei minha honra,
E assentei-me junto aos grandes.

Leonardo Jean de Oliveira Borges.