sexta-feira, 4 de maio de 2007

Jus.

Acordei juntamente ao dia,
O sol dissipava a treva fria,
Em instantes já não era noite.
O teatro havia recomeçado.

Os ditos “juizes” já estavam à mesa.
Julgavam sem haver aparente causa.
Conclusões erradas eram as acusações.
E teimavam em comparar-me com seu passado.

Mas os discretos, somos assim.
Vivemos sob insinuações.
Se não somos iguais, é culpa
Da falsidade que está em sua mente.

Somos iguais como todo irmão adotado.
Rasgamos a carne por propósito algum,
Lançamos pedregulhos para que aumente
O próprio ego. Tolice, digo.

Tire a venda, rompa o grilhão.
O poeta morto renasce em nós.
Dê um gole no veneno da vida,
Encha-se disto, e siga!

As areias do tempo estão caindo,
Cada grão cai sobre mim,
E vai me sufocando.
Antes que acabem as forças

Liberte-me deste peso,
Estenda uma mão amiga
E partilhe do meu sofrer.
Elimine este julgo torpe.

Quanto a vocês, oh juizes sem juízo.
Desde já julguem a si mesmos.
Antes de olhar feridas alheias,
Cuide bem da sua decupla chaga.

Leonardo Jean de Oliveira Borges.

Um comentário:

Bibica disse...

"(...)Elimine este julgo torpe."

Nem falo nada...

Beijos, adoravel pecador!